Sobre o plástico e capitaloceno

Em 1907 o plástico foi inventado. Plásticos demoram centenas, talvez milhares de anos para serem decompostos. A produção anual ultrapassa milhões de toneladas de plástico e boa parte tem como destino final os oceanos, sendo apenas uma fração é reciclada ou incinerada. São várias vidas humanas que cada plástico ira testemunhar, várias gerações.

O paradoxo do plástico é que em boa medida usado para aquilo que se considera descartável. Um tanto estranho e revelador que algo que dura mais que a vida humana seja considerado descartável. A vida humana é o que, então? Certamente a dos bilhões de humanos que vivem valem menos do que as milhões de toneladas da criação humana não-humana. A vida de todas as espécies que compartilham o mesmo lar vale menos. Talvez seja o desejo transformar o lar em cemitério de todas as coisas, contando com isso com a ajuda dos apaixonados pelo dinheiro e pelas mercadorias que valem mais que vidas. Não percebem que as mercadorias são feitas armas na lógica perversa do capital.

Envolvendo o plástico sobre nossas cabeças perdemos a capacidade de respirar. O plástico dos oceanos envolve os peixes, os contamina e contamina os humanos e outros animais que dele se alimentam. Mas o plástico no leito faz perder a capacidade da Mãe Terra respirar. Mas não antes sem lutar, daí os desastres naturais são um meio de luta. Contra o plástico, contra a fumaça sufocante das queimadas e das fábricas, das cinzas vegetais, animais e humanas. A morte gera dinheiro, pois o capital se alimenta da morte. Povos sem o plástico e sem o capital vivem bem com sua mãe. A ação do capital condena o mundo a uma nova extinção. É o capitaloceno.

Com tanto plástico, onde cada humano novo tem sua própria tonelada para brincar e se afogar na morte, os rios não A Terra cria os humanos, os humanos criam o plástico, os humanos matam a Terra com o plástico, mas o plástico matará humanos porque os humanos precisam da Terra. Apegados à lógica da mercadoria, ter água sem plástico se tornará cada vez mais cara e rara. O plástico continuará a ser produzido, assim como a fumaça. E a corrida entre a inteligência para produzir água limpa está condenada ao fracasso, pois o plástico chegará aos alimentos e afogará os próprios humanos. O micro plástico não é um pequeno problema. O número daqueles apegados ao capital é muito grande. E não será o plástico que será a bolha, mas os restos vivos humanos que viverão em bolha. Até que milhares de anos depois o plástico morra, caso decida-se fazê-lo parar de nascer.

Créditos da imagem National Geographic https://www.nationalgeographic.org/encyclopedia/microplastics/

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